Lançamento do Rámooon Lo Pirata!
05 de maio de 2014

Faz tempo que não coloco nada aqui no blog.
Mas acontece que sábado é lançamento da serigrafia Ramon Lo Pirata e com isso resolvi voltar a postar aqui. :D

Além da serigrafia também estarei mostrando 3 desenhos feito com pincel e tinta acrílica, com tamanho aproximado de 0,80×1,0 m, 0.60×1,0 m, enfim… são meus últimos trabalhos, o que tenho pesquisado.

Apareçam, será bom ver vcs por lá.

Obrigado!

um abraço!
Marcio Moreno

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RAMON_lopirata_convite_B

Eu sei, mas não devia .
12 de outubro, 2013

Eu sei, mas não devia

Marina Colasanti


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial -de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.



(1972)


O texto acima foi extraído do livro Eu sei, mas não devia, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

88belasartes
19 de setembro de 2013

Vou estar participando da exposição 88 Belas Artes no dia 23 com esse trabalho
AQUI
vamos nos encontrar por lá:

88BELAS-exposicao

13 . Humildade .
26 de agosto de 2011 às 00:00

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.
Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”

#01 passo-a-passo .
29 de agosto de 2013

01_PORCO_rascunho

Porco do Meats

Maklau mag #01 .
31 de julho de 2013

post_blog_maklau

Saiu a nova revista Maklau mag que está sensacional e tive o prazer de participar batendo um papo com o cérebro do projeto Caio Cesar Bastos. Muito obrigado pelo convite!

Acesse: http://maklaumag.tumblr.com/

Salute!

OSGÊMEOS .
16 de julho de 2013

Foda_se #01 .
16 de junho de 2013

FODA_SE#01

Agora eles
estão com medo.

cuidado, a maioria sabe de tudo

3,20 .
14 de junho de 2013

mosca_hotdog1

Já estava previsto.
As ruas estavam de olho, uma hora o povo iria se rebelar.
Ninguém mais é inocente e nem tudo é controlado como parece.
Somos a maioria.

Avante!

Primeiro post.
13 de junho de 2013

Trilha Sonora, Grooverdose

Blog já é uma coisa ultrapassada, não sei se funciona mais.
De qualquer forma, quero manter esse espaço atualizado e divertido.
Tentando reunir informações sobre meu trabalho e projetos que estarão em andamento.

Um brinde!

Essa é uma primeira versão do site.

até breve.